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Roxette em São Paulo: legado, homenagem e nova fase. Crédito da foto: Camila Cara

Roxette em São Paulo: legado, homenagem e nova fase

O show do Roxette em São Paulo, na noite de 14 de abril, parte de uma história que o público conhece bem. Durante décadas, a banda foi sustentada pela parceria entre Per Gessle, responsável por compor grande parte dos sucessos, e Marie Fredriksson, dona de uma das vozes mais marcantes do pop. Juntos, transformaram músicas como “Listen to Your Heart” e “It Must Have Been Love” em hits globais.

Ainda existe Roxette sem Marie?

A morte de Marie, em 2019, encerrou esse ciclo de forma definitiva. Por isso, ver o Roxette novamente no palco sempre levanta uma questão inevitável: o que exatamente continua quando uma das figuras centrais já não está mais ali?

No Espaço Unimed, essa resposta começa a se desenhar com clareza. Per segue à frente do projeto, assumindo o papel de condutor da noite com naturalidade. É ele quem ancora o show, não só como músico, mas como elo direto com a identidade original da banda. Ao seu lado, surge o principal elemento dessa nova fase: Lena Philipsson, cantora sueca com carreira consolidada, convidada para assumir os vocais.

Lena Philipsson e o desafio de assumir os vocais

Lena entra em um espaço que não permite substituições. E o show não tenta forçar essa ideia. Desde o início, fica claro que sua presença não é construída a partir da comparação com Marie, mas a partir de uma leitura própria dessas músicas. Sua voz tem outra textura, sua interpretação segue outro caminho, e isso impacta diretamente a forma como o repertório se apresenta ao vivo.

Essa mudança aparece nos detalhes. Algumas músicas surgem em tons mais baixos, ajustadas para a nova dinâmica vocal. Em outros momentos, a diferença está menos na técnica e mais na entrega. Marie tinha uma presença expansiva, com alcance vocal que definia o som do Roxette; Lena trabalha de forma mais contida, sustentando as canções sem tentar reproduzir o que já foi feito.

Roxette em São Paulo – Crédito da foto: Camila Cara

Os hits atemporais do Roxette e a força do público no show em São Paulo

Com o passar do show, essa escolha começa a fazer sentido dentro do conjunto. Quando entram sequências de clássicos como “The Look”, “Joyride” e “Listen to Your Heart”, o protagonismo se desloca naturalmente para o público. São músicas que não dependem mais exclusivamente de quem está no palco. A plateia canta, completa versos, mantém os refrões vivos e, em alguns momentos, transforma o espaço em algo próximo de uma festa nostálgica, com gente pulando, cantando e às vezes dizendo “essa é a minha música!”

O momento mais emocional da noite

“It Must Have Been Love” é o momento em que essa dinâmica muda de tom. A música desacelera o ambiente e evidencia aquilo que atravessa todo o show. A ausência de Marie não é um detalhe. Ela está presente na memória do público, na forma como a canção é recebida e no próprio significado que ela ganhou ao longo dos anos. Per faz questão de reforçar essa homenagem.

Sem telões: quando sentir o show importa mais que ver

Um detalhe curioso ajuda a reforçar essa atmosfera. Não houve exibição de imagens do show nos telões laterais, uma escolha que não foi explicada, mas que acabou alterando a forma como o público se relacionou com a apresentação. Sem o apoio visual ampliado, os olhares se voltaram menos para o palco em si e mais para a experiência coletiva. Em vez de assistir, parecia mais importante sentir. Em vez de ver cada detalhe, bastava estar ali, dentro daquele momento, que mais parecia uma viagem no tempo.

A energia que continua mesmo depois do fim

A banda que acompanha Per ajuda a manter essa estrutura firme. Os arranjos permanecem próximos das versões originais, com pequenas adaptações que não alteram a essência das músicas. Existe uma preocupação clara em preservar a identidade sonora do Roxette, mesmo dentro de um novo formato.

Ao longo da apresentação, o público responde de forma direta. Não há resistência à nova formação, mas existe consciência de que se trata de outra fase. Lena é recebida com atenção no início e, aos poucos, conquista espaço dentro do show, principalmente pela consistência com que conduz as músicas.

E essa conexão não termina com o último acorde. Do lado de fora do Espaço Unimed, já depois do fim, pequenos grupos ainda se formavam espontaneamente. Vozes que não queriam ir embora continuavam cantando, puxando trechos de músicas como “How Do You Do!”, prolongando a noite como se fosse possível estender aquele momento por mais alguns minutos.

O que fica do show do Roxette em São Paulo

O que fica do show do Roxette em São Paulo é uma leitura objetiva: o grupo não tenta recriar o que existia antes, porque isso não é possível. O que permanece é o repertório, a conexão construída ao longo dos anos e a capacidade dessas músicas de ainda mobilizarem uma plateia inteira.

E, diante da resposta do público, isso segue sendo suficiente para manter essa história em movimento.

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