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mgk em São Paulo e o poder de ter o público certo

Existe uma diferença enorme entre cantar para uma multidão e cantar para quem realmente foi até um show por você. mgk experimentou os dois extremos em menos de 24 horas: depois de se apresentar no Rock in Rio, diante de uma plateia de aproximadamente 70 mil pessoas, o cantor voltou ao palco no domingo, 6 de setembro, dessa vez na Audio, em São Paulo, para seu primeiro show solo no Brasil. Se no festival carioca a recepção não foi exatamente a que ele esperava, na capital paulista a história foi outra. Cercado por fãs que conheciam suas músicas e acompanharam suas diferentes fases, mgk encontrou um ambiente em que não precisava convencer ninguém sobre quem é.

Do festival para um público que foi por ele

Na noite anterior, mgk havia falado sobre a importância de realizar o sonho de tocar no Rock in Rio, mas também deixou transparecer sua frustração com parte da resposta que recebeu da plateia. Em um festival desse tamanho, as pessoas chegam ao palco por motivos diferentes: algumas acompanham o artista, outras aguardam as próximas atrações e há quem esteja simplesmente descobrindo seu trabalho. Na Audio, essa questão sequer existia. Quem estava diante dele tinha escolhido estar ali, e essa segurança permitiu que o cantor conduzisse a noite de uma maneira muito mais espontânea.

Durante aproximadamente duas horas, mgk cantou, conversou com o público, brincou com as pessoas que estavam próximas ao palco e criou espaço para momentos espontâneos, incluindo a participação de duas fãs mirins. Uma delas apareceu durante “I Think I’m OKAY”, enquanto outra foi chamada durante “bloody valentine”. São situações pequenas dentro de um espetáculo grande, mas ajudam a entender a atmosfera criada naquela noite, em que a distância entre artista e plateia parecia diminuir constantemente.

Uma carreira inteira no mesmo palco

O repertório também contribuiu para essa sensação de liberdade. Em vez de concentrar a apresentação em lost americana, seu trabalho mais recente, mgk percorreu diferentes momentos da carreira, passando pelo rap de “Wild Boy”, por Hotel Diablo e chegando à fase pop punk que ganhou força a partir de Tickets to My Downfall. O álbum de 2020 teve presença marcante no repertório e provocou alguns dos maiores coros da noite, mas não impediu que outras fases também encontrassem espaço.

Essa mistura é importante para entender o próprio artista. O artista construiu uma carreira marcada por mudanças de direção e, na Audio, não parecia interessado em escolher apenas uma delas para representar. Houve espaço para a energia das guitarras, para o rap, para um trecho acústico e até para a inesperada “Danza Kuduro”, de Don Omar. O resultado foi um show que atravessou estilos e períodos diferentes sem perder a coerência, porque o fio condutor era justamente o próprio mgk.

E havia muita coisa para atravessar. Com mais de 30 números entre músicas completas e medleys, o repertório percorreu boa parte de sua trajetória, mas a apresentação foi tão enérgica que as cerca de duas horas passaram rapidamente. A alternância entre momentos mais intensos e trechos de respiro evitou que a duração pesasse, enquanto a resposta das primeiras filas mantinha o ritmo da noite.

A setlist completa da apresentação está ao final da matéria.

Quando conexão vale mais que tamanho

É justamente quando se coloca essa noite ao lado da apresentação no Rock in Rio que surge o aspecto mais interessante da passagem de Machine Gun Kelly pelo Brasil. No festival, ele tinha diante de si uma multidão gigantesca, mas precisava dividir aquela atenção com uma programação inteira e com pessoas que não necessariamente haviam ido até ali para vê-lo. Na Audio, o número era muito menor, porém a resposta vinha de quem já conhecia seu trabalho e tinha escolhido comprar um ingresso para acompanhá-lo.

Uma plateia maior naturalmente oferece mais alcance, mas não necessariamente produz uma conexão maior. Para um artista que passou boa parte da carreira transitando entre gêneros e construindo diferentes versões de si mesmo, existe algo especialmente valioso em estar diante de pessoas que conhecem esse percurso e não precisam ser convencidas a acompanhá-lo.

Foi isso que mgk pareceu encontrar em São Paulo. Sem precisar disputar atenção ou justificar suas escolhas, ele pôde simplesmente conduzir a noite como queria: cantou, conversou, se emocionou, brincou com os fãs e dividiu o palco com crianças que estavam na plateia. Depois de já ter vindo ao Brasil em outras ocasiões para participar de festivais, finalmente teve a oportunidade de descobrir como é estar aqui diante de um público reunido exclusivamente para vê-lo.

Na véspera, ele havia realizado o sonho de se apresentar no Rock in Rio. No domingo, viveu uma experiência diferente, mas talvez tão importante quanto: a de perceber que não precisa estar diante do maior número possível de pessoas para ter uma noite significativa.

No fim, a apresentação da Audio deixou uma conclusão simples. Sucesso também pode ser estar diante de menos gente, desde que sejam as pessoas certas. E, naquela noite, mgk não precisou se provar para ninguém, só precisou ser ele.

Setlist mgk na Audio

  1. FIX UR FACE
  2. outlaw overture
  3. maybe
  4. starman
  5. Wild Boy
  6. El Diablo
  7. F*CK YOU, GOODBYE
  8. I Think I’m OKAY
  9. goddamn
  10. can’t stay here
  11. title track
  12. drunk face
  13. bloody valentine
  14. kiss kiss
  15. concert for aliens
  16. nothing inside
  17. times of my life
  18. love race / sid & nancy / 27 / Free Fallin’
  19. Danza Kuduro
  20. Glass House
  21. make up sex
  22. my ex’s best friend
  23. forget me too
  24. emo girl
  25. 5150
  26. jawbreaker
  27. DAYWALKER
  28. papercuts
  29. miss sunshine
  30. lonely
  31. cliché
  32. vampire diaries

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