“Tina Turner, O Musical” entrega força vocal e levanta expectativas
Em 2026, o Teatro Santander completa dez anos e escolhe uma superprodução internacional para marcar a data: Tina – Tina Turner, O Musical. Fenômeno consolidado no West End e na Broadway, o espetáculo estreia em 26 de fevereiro, em São Paulo, cercado de expectativa, especialmente após a produtora Tali Pelman afirmar que o elenco brasileiro está entre os mais marcantes com quem já trabalhou.
No evento para a imprensa, que aconteceu no último dia 24 de fevereiro, foram apresentadas quatro cenas, recorte suficiente para indicar a dimensão da montagem, mas também para provocar questionamentos sobre como essa narrativa será conduzida ao longo da temporada.
Primeiras impressões
A primeira cena leva o público aos anos 1950, quando Tina Turner ainda dava os primeiros passos na música e conheceu Ike Turner. A estética é cuidadosamente construída: figurinos, luz e direção evocam com eficiência a atmosfera da época. É nesse momento que Analu Pimenta começa a revelar a força que sustenta o espetáculo. Sua potência vocal sugere uma entrega física e emocional que pode ser o grande trunfo da montagem.
Em seguida, “River Deep – Mountain High” amplia a escala. A cena aposta na grandiosidade visual e sonora, reforçando a vocação do musical para o espetáculo. A banda ao vivo e a densidade dos arranjos criam impacto imediato. Ainda assim, permanece a curiosidade: como essa grandiosidade dialogará com os momentos mais íntimos da narrativa?
O trecho mais sensível apresentado foi a cena ao som de “We Don’t Need Another Hero”, dividida com a irmã. Aqui, o espetáculo desacelera e aposta na emoção contida. Foi o momento em que a plateia de jornalistas silenciou e se emocionou. Se mantiver esse equilíbrio entre vulnerabilidade e força, a montagem tem potencial para ir além da celebração de hits e alcançar camadas mais profundas da trajetória da artista.
O encerramento com “The Best” assume o risco do óbvio e acerta: a cena é grandiosa, vibrante, construída para arrepiar. É o tipo de número que transforma o teatro em arena e reafirma por que Tina Turner se tornou um ícone global. Há luxo técnico, potência vocal e uma energia coletiva difícil de ignorar.
O musical se propõe a revisitar também os episódios de abuso, racismo e violência que atravessaram a vida da artista. A questão que permanece — e que só poderá ser respondida com o espetáculo completo — é se a montagem conseguirá aprofundar essas camadas com a mesma intensidade com que investe no espetáculo visual.
Assistir a apenas quatro números foi suficiente para perceber a energia da produção, mas não para esgotá-la. Se o restante da montagem sustentar o equilíbrio entre impacto e humanidade, Tina – O Musical pode se tornar uma experiência emocionalmente potente e artisticamente relevante na cena paulistana.
Texto por: Nathalia Sorrini
