KINO celebra liberdade na turnê FREE KINO em São Paulo
KINO terminou seu show no Carioca Club, em São Paulo, no dia 14 de agosto, no meio da pista. Durante “Flake”, o cantor deixou o palco, entrou entre os fãs e dançou e cantou cercado pelos fãs.
Dois dias antes, durante uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo, KINO havia falado sobre liberdade. A palavra dá nome à turnê FREE KINO e apareceu também quando o artista explicou as diferenças entre sua atuação no PENTAGON e sua carreira solo. Existem comportamentos e formas de se expressar diferentes em cada espaço, mas, segundo ele, os dois lados fazem parte de quem é.
Quando chegou ao Carioca Club, essa ideia ganhou outra dimensão. O show apresentou diferentes versões de KINO em uma sequência que passou pelo rock, eletrônico, sensualidade, vulnerabilidade e dança. No meio de tudo isso, o público ainda repetia o nome da turnê como um mantra: “FREE KINO”.
KINO chegou ao palco sem pedir licença
A abertura de “FREE KINO” já dava pistas do que viria pela frente. “WURK” e “MY TURNTABLE IS CONCRETE” colocaram o público diante de uma sonoridade pesada, eletrônica e cheia de guitarras, com uma energia próxima do rock. KINO chegou ao palco como quem tinha algo para dizer e não estava interessado em fazer uma entrada discreta.
A presença de uma banda ao vivo reforçou essa identidade. O cantor foi acompanhado por um guitarrista e um baterista brasileiros da School of Rock São Paulo, que acrescentaram ainda mais peso à apresentação. A formação ajudou a criar uma textura diferente daquela que costuma aparecer em grandes shows de K-pop, aproximando a performance de uma experiência de banda.
Essa mistura de eletrônico, pop e rock atravessou a noite. Em vez de funcionar apenas como referência estética, ela se tornou parte da identidade que KINO vem construindo como solista.
De “CLUB SEX CIGARETTES” à estreia solo de “POSE”
“CLUB SEX CIGARETTES” deu continuidade à provocação inicial, mas levou o espetáculo para outro lugar. A música carrega uma espécie de cansaço debochado na própria letra. O contraste entre amar clubes, sexo e cigarros e odiar o trabalho e Chardonnay soa quase como um grande “foda-se” para tudo.
A partir dali, o show mudou de temperatura. “MAPSI” trouxe uma atmosfera mais sensual, seguida por “POSE”, música que marcou o debut solo de KINO. O próprio cantor brincou com o público ao apresentar aquele bloco como a parte sexy da noite.
As três faixas formaram uma sequência interessante: a rebeldia da abertura foi ganhando contornos de confiança, sensualidade e controle corporal. Era outro lado de KINO aparecendo, ainda dentro da mesma história.
“Skyfall” deixa a vulnerabilidade tomar conta do palco
Depois da energia explosiva e sensual dos números anteriores, KINO entregou uma performance muito mais contida. A música fala sobre sentir falta de alguém que se ama, e o momento ganhou justamente essa dimensão de saudade e vulnerabilidade. Se até ali o show havia apresentado KINO como alguém que chega com força, provoca, dança e controla o palco, “Skyfall” abriu espaço para um artista que também sente falta, hesita e deixa as emoções aparecerem.
Na coletiva, KINO havia falado sobre poder ser mais fiel aos próprios sentimentos em sua carreira solo. No palco, essa liberdade também estava nesse tipo de exposição.
Aos poucos, KINO SE LIBERTA
“Dancing On The Road” trouxe uma mudança mais suave. A música abriu caminho para uma parte mais leve do show, como se a tensão acumulada anteriormente começasse a desaparecer. Foi também o momento em que KINO encontrou um cartaz de um fã e resolveu segurá-lo durante a música.

“Fashion Style” manteve essa leveza com uma sonoridade que passeia pelo pop rock, indie e eletropop. Depois, “Everglow” voltou a aumentar a temperatura com seu pop punk, preparando o público para uma sequência cada vez mais dançante. A essa altura, o espetáculo já havia passado por diferentes estados sem parecer dividido artificialmente. Cada bloco preparava o próximo, e a sensação era de acompanhar uma jornada que ia se abrindo aos poucos.
Quando o público também entra em cena
“Freaky Love” trouxe uma dinâmica que já virou quase uma tradição de KINO. Ele ensina a coreografia e chama fãs para o palco, resultando em um momento muito fofo e de interação entre Kino e público.
Depois vieram “SOLO”, “Broke My Heart”, “Call My Name”, do PENTAGON, e “Dirty Boy”, levando o show para uma sequência cada vez mais dançante. O grito “FREE KINO” ecoava cada vez mais alto. Em diferentes momentos da apresentação, o público gritava o nome da turnê, transformando a expressão em uma espécie de mantra coletivo.
E isso acrescentava uma camada interessante à nooite: KINO falava sobre liberdade, mas não fazia isso sozinho, essa busca pela liberdade se estendia aos fãs.
O Brasil já faz parte da história de KINO
A relação entre KINO e o público brasileiro começou antes de sua carreira solo. Ele veio ao país pela primeira vez em 2019, com o PENTAGON, e retornou sozinho em 2025 para a turnê “I Think I Think Too Much”. Na coletiva deste ano, contou que ainda guarda fotos e vídeos daquela primeira passagem pelo Brasil. A apresentação no Carioca Club, portanto, aconteceu diante de um público que já conhecia parte de sua história.
A produção também repetiu uma pequena tradição brasileira de KINO: o cantor recebeu um bolo no palco. Em 2025, ele também havia ganhado um bolo durante sua passagem pelo país, naquela ocasião em comemoração ao seu aniversário. Desta vez, o gesto voltou a aparecer como uma espécie de ritual de boas-vindas.

O KINO solo ainda carrega o PENTAGON consigo
No encore, “Shine” e “Spring Now” trouxeram o PENTAGON de volta àquela noite. A escolha foi especialmente significativa depois de toda a conversa sobre identidade. KINO não precisou esconder a trajetória que o tornou conhecido para apresentar seu lado solo. E, claro, foi também o ápice do show, onde fãs não apenas da trajetória solo, mas da jornada do grupo, se reuniram e cantaram junto. É aí que a fala da coletiva ganha ainda mais força. KINO explicou que existem diferenças entre sua postura no PENTAGON e a maneira como se apresenta sozinho, mas que esses dois lados são igualmente seus. No palco, isso é evidente.
“TAXI” foi certamente um dos momentos mais divertidos, a música é dançante e tem uma coreografia engraçada. “Taxi, taxi, just take us to the party“, sim, era uma festa.
“FREE KINO” termina onde a distância desaparece
O show poderia ter terminado com uma grande coreografia, um último efeito visual ou uma despedida tradicional, mas em vez disso, KINO foi para o meio da pista.
Durante “Flake”, ele cantou e dançou cercado pelos fãs, transformando o espaço entre palco e plateia em uma coisa só. Para um artista de K-pop, acostumado a grandes produções e a uma estrutura bastante marcada entre quem está no palco e quem assiste, foi um gesto especialmente significativo.
Aquela cena também fechava o percurso construído durante toda a noite. KINO havia começado o show com guitarras, eletrônico e uma atitude provocadora. Passou pela sensualidade, pela raiva, pela saudade, pela leveza e pela dança. Dividiu o palco com fãs, trouxe o PENTAGON para o encore e ouviu o público repetir “FREE KINO”.
Na coletiva de imprensa, KINO falou sobre liberdade como uma possibilidade de mostrar diferentes lados de si mesmo. No Carioca Club, ele mostrou isso na prática. E, quando o cantor terminou a noite no meio dos fãs, a ideia deixou de ser apenas o nome de uma turnê e virou a própria imagem daquele show.
